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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Os 13 Porquês - Jay Asher

Olá, pessoal!! Tudo bem?


A resenha de hoje é de um livro referência quando o assunto é suicídio. É até difícil escrever sobre ele por ser bastante denso, muitas informações e tem uma temática ''pesada''.

Hannah, a protagonista, é uma jovem que comete suicídio e decide gravar 13 fitas contando os motivos que a levaram a se matar. A história é narrada pelas fitas que ela deixou e por Clay, um garoto que estudou com ela e estava envolvido de alguma forma com a sua morte.

Antes de morrer, Hannah decide gravar essas 13 fitas destinadas a 13 pessoas, mostrando 13 motivos que fizeram com que ela desistisse de sua vida. 

Ela teria tudo para ter uma vida normal, mas sofria com rotulações falsas na escola, que acabaram criando uma imagem totalmente deturpada dela e que fizeram com que ela não se sentisse mais no controle de sua própria vida. 



Para mim essa é uma das partes mais marcantes do livro, porque tudo é muito real. Para quem é jovem e vive no ambiente escolar é muito comum você ser tachado, criarem uma ideia sua, muitas vezes errônea, e a partir disso essa rotulação dá lugar ao bullying. 
E foi isso que aconteceu com a Hannah, circulavam boatos sobre ela totalmente falsos e que foram criando uma imagem irreal dela e essa imagem fez com que a tratassem com o que correspondia a essa imagem.

"Vocês não sabem o que estava se passando no resto da minha vida. Em casa. Nem mesmo na escola. Não sabem o que se passa na vida de ninguém, a não ser na de vocês. E quando estragam alguma parte da vida de uma pessoa, não estão estragando apenas aquela parte. Infelizmente, não dá para ser tão preciso ou seletivo. Quando você estraga uma parte da vida de alguém, você estraga a vida inteira da pessoa." (p.172)

Ou seja, a tratavam com base em características que não eram suas. E tudo isso fez com que ela não se sentisse mais no controle da sua vida, pois haviam mudado completamente a sua identidade e mesmo a sua casa, o único lugar em que ainda se sentia segura, não era mais um lugar confortável.
Para quem faz o bullying pode ser algo banal, bobagem, uma ''brincadeira'', mas na vida de uma pessoa gera uma proporção enorme. 

De acordo com que vai ouvindo as fitas, Clay descobre que não conhecia a garota pela qual era apaixonado e que ela escondia muitos segredos.

"Eu estou escutando alguém desistir. Alguém que eu conhecia. Alguém que eu gostava. Estou escutando. Mesmo assim, estou atrasado.'' (p.126)

O livro apesar de ser muito envolvente, ele é muito denso, cada capítulo é muita informação, muitos ''baques'' e apesar de querer continuar a leitura e saber logo o desenrolar da história, eu não conseguia. Tive que dar várias pausas para absorver tudo isso. 
Esse, para mim, é um dos melhores livros nesse estilo (o melhor, na minha opinião, é Por Lugares Incríveis). Fale! e A Lista Negra também são ótimos e valem a pena a leitura. 
Se você, assim como eu, gosta de livros que tratam desse assunto, vale a pena conferir. Aliás, os jovens em geral deveriam ler esse livro, ele proporciona um aprendizado enorme.


Espero que eu tenha conseguido passar um pouco pra vocês da essência desse livro.
Até a próxima, beijos!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Tristão e Isolda - Lenda Medieval Celta de Amor

Olá, pessoal!!!

Hoje vim falar de um livro que a muito tempo queria ter lido, mas na correria do dia a dia só consegui ler agora. O livro é Tristão e Isolda. 

A história é baseada numa lenda medieval celta e influenciou bastante escritores na Idade Média. A popularidade e a  circulação dessa história eram tão grandes que ela chegou em nossos dias e inspirou artistas na música, na pintura, no teatro e atingiu também o cinema.
O que pra mim já é incrível e me faz querer ler o livro; não é interessante saber que uma história resistiu a tantos anos?
Não se sabe ao certo quem escreveu e quando a escreveu, além disso os historiadores não sabem afirmar se ela é baseada em fatos. O texto que a gente conhece nos livros foi reconstituído a partir da comparação das versões mais antigas.
''Senhores, agradar-vos-ia conhecer uma bela história de amor [...]? É a história de Tristão e da Rainha Isolda. Ouvi como, alegres e tristes, eles se amaram...'' Página 15 (Martin Claret)

A vida de Tristão foi marcada por desastres, seu pai morreu em batalha e sua mãe durante o seu parto, devido a isso, então, recebeu esse nome. Algum tempo depois de tornar-se orfão, foi viver no reino da Cornualha  sobre os cuidados do Rei Marcos. 
Ao crescer ele se tornou um guerreiro habilidoso e em uma das batalhas que enfrentou, ele se feriu gravemente, mas foi salvo pela rainha Isolda da Irlanda.

Recuperado, ele retorna à Cornualha, onde alguns barões mais próximos do rei sugere que este encontre uma noiva. E então, Tristão lembra-se de Isolda, a Loura, e decide ir à terra dela para a conquistar para o rei. Feito isso, antes de partir para Cornualha, a mãe de Isolda entrega a criada da filha uma poção mágica que esta deve tomar junto com o marido no dia do casamento.
Pois os que tomassem essa poção se apaixonariam perdidamente um pelo outro. Contudo, ao sentirem sede, Tristão e Isolda tomam a poção mágica sem o conhecimento de que aquela bebida tinha tal poder. 



Assim, os dois se apaixonam e se veem lutando contra esse sentimento e amor inalcançável.
Como prometido, Isolda se casa com o Rei Marcos, mas os dois jovens não conseguem conter o sentimento e continuam se encontrando às escondidas. Porém, os mesmos barões que sugeriram ao rei uma esposa, começam a desconfiar do romance dos dois jovens. A partir disso, a história vai ser marcada por idas e vindas. 


O enredo é marcado por amor, culpa, ciúmes, inveja, além disso retrata a realidade da época, caracterizada por reinos que, constantemente, entravam em conflito por busca de terras; o homem que passava a infância sendo treinado para ser um bom guerreiro e ser racional, contendo os sentimentos; além dos casamentos arranjados. 
''Disse então Isolda a Tristão: - Os traidores sabem de  nosso refúgio. Fugi. [...] Mas fugi dessa terra, pela vossa salvação e pela minha. Disse-lhe Tristão: - Mas como poderei viver? - Tende razão, amigo  Tristão, minha vida e a vossa estão entrelaças e tecidas uma na outra. E eu como poderei viver? Meu corpo aqui fica, mas tens convosco o meu coração.'' (página 96/97)

A versão mais atual da história nos filmes é uma versão de 2006. O filme é muito bom e ficou lindo, mas ele não foi fiel ao livro em quase nada. Os dois são bons, mas bastante diferentes. O filme foi totalmente adaptado para agradar ao público, mas vale a pena ver. Pra mim, mesmo sendo tão diferente, é um filme maravilhoso.


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Drácula - Bram Stoker

Olá, galera!! Tudo bem?



Drácula é um clássico escrito em 1897, a obra trata da história de um vampiro e de seres que mesmo mortos continuam vivos. Diferentes dos livros e filmes mais atuais, ele não tem um vampiro romantizado. A história, sim, tem romance, mas o vampiro não é alguém que luta contra o próprio mal que ele é capaz de causar (ou que brilha como o Edward de Crepúsculo haha). 

A história foi inspirada na figura do príncipe romeno Vlad Tepes (foto ao lado), o qual defendeu seu território contra o Império Romano no século 15. Ele era conhecido por sua crueldade, pois seus inimigos eram torturados e empalados. Suas praticas foram disseminadas por seus inimigos, o que trouxe inspiração para Bram Stoker. 

Bem, o livro é narrado por meio de diários, jornais e cartas, fazendo com que a leitura se torne bastante fluida, o que a faz leve e instigante. 

O primeiro narrador é Jonathan Harker, um advogado que é contratado pelo conde Drácula para o ajudar a comprar uma casa em Londres, a fim de que lá esse possa se esconder e fazer novas vítimas na cidade. 
Durante o período em que permanece no castelo do conde, Jonathan nota acontecimentos estranhos e hábitos suspeitos do Drácula. Até que ele percebe que está refém dele e que se encontra trancafiado no castelo. 

Algumas das vítimas feitas pelo vampiro são do convívio de Jonanthan; é desse modo que a história de diversas vítimas se cruzam e que elas, juntamente a outros personagens destemidos, vão arriscar a própria vítima para salvar seus amigos e livrar a sociedade de uma criatura tão horripilante. 
Para isso, então, precisam descobrir o segredo do conde, o que ele é e o que ele é capaz de fazer.

O livro é de terror e suspense, mas longe de ser um livro que cause medo em quem o leia. Mas a criatividade do autor para criar algo tão místico e surreal é muito interessante, vale a pena ler a história. E como falei, é uma leitura fácil e corrida, você vai lendo rapidamente e é despertado para saber o desenrolar da história. 

Curiosidade: 

Vou deixar para vocês um link com o Castelo do Drácula em 360º, é incrível! 
Cliquem, aqui !
Obs: Para desejar as boas vindas aos visitantes do castelo, do lado de fora existem duas pessoas empaladas, de mentira, claro rs. Mas achei interessante, quem tiver a curiosidade de ver segue o link da foto: aqui

Espero que tenha gostado. Beijoos!! 

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Por Lugares Incríveis - Jennifer Niven

Olá, pessoal!! Tudo bem com vocês?



Hoje, trago a resenha de um livro que, com certeza, foi a melhor leitura do ano e que conquistou um lugarzinho no meu coração. 

Por Lugares Incríveis é um livro extremamente emocionante, real, reflexivo e único. Ele conta a vida de dois jovens que, diante de tudo que tem enfrentado, veem a morte como a única maneira de encerrar seu sofrimento. E é deslumbrante o modo como a autora traz um tema desse de uma forma tão real e envolvente.

A história é contada pelos dois personagens, intercalando entre um capítulo e outro. Um deles é Finch, um jovem com um histórico problemático e tido como a ''aberração'' da escola, pois ninguém compreendia sua personalidade, suas atitudes tão inconstantes e incomuns para os demais jovens. Ele sofria com períodos de depressão e possuía uma família desestruturada com pais que não buscavam compreender essa personalidade instável do filho, além de ter um pai bastante violento. Devido a toda essa incompreensão e rotulagem que faziam dele, Finch pensava, constantemente, em suicídio e em como o faria.

A outra personagem é Violet, que, diferente de Finch, era uma jovem com uma vida praticamente perfeita, possuía um grande círculo de amigos, um namorado lindo e era popular. Além disso, dedicava parte de seu tempo escrevendo em uma revista online que administrava juntamente à sua irmã. Porém, sua vida muda completamente após uma acidente de carro que ela sofre com essa irmã, no qual apenas ela sobrevive. Depois disso, ela se sente culpada pelo acidente que levou à morte da irmã, além de acreditar que não é justo ela continuar sua vida, voltar a ter bons momentos, tendo em vista que a sua irmã não terá mais essas oportunidades. 

Toda essa dor, tristeza e falta de esperança fazem com que os dois se encontrem no alto da torre da escola. Quando se veem tão em frente da morte, movidos pelo medo, decidem ajudar um ao outro a sair daquele local. Mas depois desse ''encontro'' na torre, Finch, que não entendia o que poderia levar uma garota como Violet a uma situação daquelas, passa a observá-la e a buscar conhecê-la melhor. 


Quando o professor de geografia passa para a turma um trabalho sobre o estado de Indiana, ele vê nisso a oportunidade de se aproximar realmente de Violet. Juntos, então, conhecerão melhor Indiana e seus lugares incríveis. Além de, aos poucos, despertarem um no outro a vontade de viver, enquanto irão se conhecer melhor.


''Ela é oxigênio, carbono, hidrogênio, nitrogênio, cálcio e fósforo. Os mesmo elementos que estão dentro de todos nós, mas não consigo parar de pensar que ela é mais que isso e que tem outros elementos dos quais ninguém nunca ouviu falar, que a tornam diferente de todas as outras pessoas.'' - Página 199

Bem, o livro em certos momentos é bem divertido; em outros, bem triste. Em uma certa parte do livro eu chorei, chorei e chorei, até que eu tive que parar a leitura, absorver aquilo tudo e depois continuar. 
Porque por mais que se saiba que aqueles personagens não existem, aquela situação é real, o suicídio é real.
E é doloroso saber que, muitas vezes, o bullying e falta de compreensão com os outros fazem com que isso seja rotineiro hoje em dia.  E a escola é, realmente, um espaço de segregação muitas vezes. Em que aqueles que agem fora do nosso padrão são tachados e rotulados. 
Por isso, para mim, foi tão incrível descobrir quem o Finch era por trás de toda aquele conceito formado sobre ele. Eu me apeguei demais com os personagens, principalmente com ele por ser tão espontâneo e divertido.
Eu n-u-n-c-a vou esquecer esse livro.

Além disso, Por Lugares Incríveis é fantástico por mostrar um pouco como uma pessoa que pensa em cometer o suicídio se sente e porque opta por isso. É comum algumas pessoas até criticarem alguém pelo fato de ter se suicidado enquanto outras lutam pela vida. Infelizmente, muitas vezes, o suicida é relacionado com alguém fraco e que não foi capaz de lutar.
Por isso, a importância de livros como esses serem disseminados para que as pessoas falem, sim, de suicídio, mas não como crítica. Falar sobre não é estimular, mas uma medida preventiva.

Ler esse livro durante o Setembro Amarelo tornou tudo mais único ainda e me fez pensar bastante sobre o assunto. Se você não leu ainda esse livro, leia e amplie sua visão sobre o assunto. Eu garanto que será bastante válido. 



Deixo aqui com vocês o link do Centro de Valorização da Vida, que é um serviço voluntário que presta apoio emocional e preventivo em relação ao suicídio. Nesse site, você pode entrar em contato por meio de chat, skype ou email com voluntários para conversar e desabafar, tendo assegurado o seu sigilo. Ou é possível contatá-los também pelo telefone 141 (24 horas).

Espero que tenham gostado da resenha e que eu tenha conseguido despertar em vocês a vontade de ler esse livro.

Bjs e até a próxima. 


sábado, 30 de julho de 2016

A Cidade do Sol - Khaled Hosseini

Olá, pessoal!!! 


A resenha de hoje é de um livro que a muito tempo eu vinha procrastinando a leitura e que, agora, depois que o li, arrependo-me de não ter lido antes. O livro é indescritível, eu nem sei se vou conseguir passar para vocês o quão bom ele é. 
Além de ser tocante e emocionante; o autor consegue nos envolver de uma forma que você sofre junto com as personagens, você sorri, torce, fica tensa...com certeza, é um misto de sensações e eu j-a-m-a-i-s vou me esquecer desses personagens.

Bem, a história pode ser divida em três partes. Começa com a vida de Mariam, posteriormente a de Laila e a terceira parte seria o ponto em que as duas se encontram.

Mariam é uma garota que vive isolada com a sua mãe em uma vila numa kolba (habitação semelhante a imagem abaixo). Ela era filha bastarda de Jalil e, por isso, após sua mãe engravidar ela foi viver reclusa nesse local. Poucas coisas faziam a vida dela alegre e uma delas era a visita de seu pai, Jalil, que uma vez por semana ia visita-lá. Ela idealizada uma vida em que um dia poderia ir morar com ele na cidade, ir à escola e ter uma vida normal como as demais crianças. 



Após a morte de sua mãe, ela passa a viver junto com seu pai e suas esposas e filhos. No entanto, a partir desse momento, a sua vida não vai ser nada parecida com a que ela sonhou viver. Com apenas 15 anos, ela vai ser entregue em casamento a um homem bem mais velho.
De início, sua vida não foi tão ruim quanto ela imaginava, mas quando o marido percebe que ela não o dará filhos, seu comportamento muda e tudo que ela passa a fazer o irrita. 

Laila, a segunda personagem, vive uma realidade completamente diferente. Filha de um professor universitário, ela tem acesso ao conhecimento e tem diversas oportunidades para seu futuro, vida que muitas de suas amigas não podiam compartilhar, pois era certo que em breve casariam. Por ter um pai mais estudado, Laila não vivia sobre o autoritarismo de um pai machista e tinha a certeza de poder escolher o seu futuro.
Além disso, ela cresceu próxima de seu vizinho e melhor amigo, Tariq. Que sempre a protegeu e que passava várias horas livres com ela. 

Contudo, a guerra no Afeganistão rouba além de seu futuro, sua família e seu melhor amigo. E é nesse momento que ela vai ser salva pela Mariam e as duas histórias vão se cruzar.

A vida das duas vai ser marcada por sofrimento e violência, diante de uma sociedade machista e que sofre constantemente com os impasses da guerra. Mas, mesmo com toda essa realidade, a esperança delas nunca morre e a força que elas tem se mantém constante e é o que faz elas resistirem a tudo isso bravamente.

Com certeza, o que mais marca no livro é essa força inabalável das personagens. Além disso, saber que, infelizmente, esse livro é baseado numa realidade que ainda prevalece não só no Afeganistão, mas em outros países islâmicos ou marcados pela guerra e pela presença do talibã, faz com que a história seja ainda mais marcante e forte. É praticamente impossível não se comover com a vida das personagens e sentir tudo junto com elas. Como eu gosto demais de ler sobre esses países, especialmente sobre a vida das mulheres neles, esse livro foi um retrato de uma sociedade sofrida, mas que não desiste de construir um país melhor.

PS: Poucos são os personagens masculinos que me marcam profundamente e pelos quais me encanto. Mesmo o Augustus, o Patch, o Peeta..ou mesmo, o clássico Darcy não me marcaram tanto, claro que são ótimos personagens. Mas, até hoje, de encanto mesmoooo só o meu Gabe de Soul Love. Porém, apesar de não ser o personagem principal, o Tariq chamou demais a minha atenção e não teve como não se apaixonar por ele e torcer pelo casalzinho de infância Laila e Tariq. 

Bom, já falei demais, mas com um  livro espetacular e indescritível desse é bastante difícil ser concisa. 
                                        
Espero que tenham gostado! Beijooos 
“Não se podem contar as luas que brilham em seus telhados, Nem os mil sóis esplêndidos que se escondem por trás de seus muros.”(Saib-e-Tabrizi)

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Princesa Adormecida - Paula Pimenta

Olá, pessoal!!

A resenha de hoje é de mais um livro da Paula Pimenta, uma autora que eu amo demais. A Princesa Adormecida é uma readaptação da história A Bela Adormecida. Quem conhece a autora sabe o quanto ela ama esse mundo Disney, princesa, conto de fadas. E nesse livro, ela resolve criar um conto de fadas moderno em cima daquele. 

A protagonista é Rosa, na verdade, Áurea. É uma adolescente, estudante de um colégio interno, de dezesseis anos que foi criada pela tios sendo super protegida. Esses sempre a orientaram acerca dos perigos existentes no mundo e, com toda essa proteção, Rosa foi privada de bastante coisa e, por isso, em seu aniversário de dezesseis anos é a primeira vez que ela sai com as amigas sozinha.

Nesse dia, ela descobre o quão legal é sair para se divertir e conhecer pessoas novas. Depois dessa  noite com as amigas do colégio, ela começa a receber mensagens no celular de um garoto desconhecido, que procura conhece-la melhor. Ela se divide entre o medo de falar com um estranho, desapontando seus tios e a curiosidade de conhecer melhor um menino aparentemente tão simpático e compreensivo.

Rosa decide se arriscar e se envolve com o garoto, trocando diariamente várias mensagens e passam até a se comunicar por ligações. Porém, depois dessas mensagens tudo em sua vida vai mudar. Assim como a Bela Adormecida ela vai ''adormecer'' e quando acordar, irá descobrir que toda a sua vida não passou de uma farsa e que ela sempre fora enganada; ela não era Rosa, exatamente, mas sim Áurea, uma princesa que todos achavam que estava morta. 



Bem, assim como os demais livros da Paula Pimenta, essa é uma leitura leve, que flui facilmente. Um livro que você pode ler em apenas um dia. O ambiente e diálogos juvenis são uma delícia e relembra os tempos de colégio. Mas talvez tanta inocência e leveza, deixou o livro infantil demais. A protagonista é muito boba para a idade, as vezes dava uma vontade de sacudir ela e falar ''acorda, mulher'', rs. 
Eu falo isso porque quando li '' Minha Vida Fora de Série'' os personagens tinham atitudes bem condizentes com a idade e eu me identifiquei DEMAIS com o livro por parecer tão próximo da realidade. 

Mas com certeza é uma boa leitura, especialmente para quem procura uma leitura leve, rápida e juvenil. É um bom livro para ler depois de um livro com uma temática mais ''pesada''.
PS: Que capa linda é essa?!! <3

Espero que tenham gostado. Beijoooos!!


terça-feira, 3 de maio de 2016

A Seleção - Kiera Cass

Olá, tudo bem? Vamos para mais uma resenha!!



A resenha de hoje é de um livro que virou a febre entre as minhas amigas na época do lançamento. Mas eu, como sempre, fujo dos livros da ''modinha'' e só o li  esse ano, que é o ano do lançamento do último livro da série inclusive. E sim, eu me arrependo de não ter lido antes!!!!! 

Uma amiga minha sempre me indicava ele e eu fugia. Até que um dia fui trocar uns livros no sebo e o encontrei lá, não sei o que me deu, mas resolvi tentar a leitura e em menos de um mês eu li todos os livros da série já lançados e já encomendei o último que foi lançado hoje. É muito viciante e envolvente.

A história se passa em um país que passou por um longo período de guerra e que nessas circunstâncias passou a ser governado por meio de uma monarquia e a sociedade foi dividida em castas. A protagonista é América Singer, uma garota da casta cinco, que levava uma vida simples juntamente a sua família, a qual vivia da arte. Ela, junto com seus familiares, tocavam e cantavam nas casas das castas superiores.
A sociedade de Illéia era dividida em oito castas e a desigualdade social era gritante. América é apaixonada por Aspen, uma amigo de infância da casta seis, o qual a família fazia alguns serviços na casa dela e, assim, os dois se aproximaram. Mas a relação entre os dois eram mantida em segredo por ele ser de uma casta inferior. 

Até que América recebe um convite para participar da Seleção, seriam escolhidas 35 garotas dentre as inscritas para irem ao palácio de Illéia e uma delas seria escolhida pelo príncipe para ser sua esposa e futura rainha. 


Sua mãe insiste para que ela se inscreva, pois ela via na seleção uma oportunidade única para a filha e a chance de a família melhorar de vida. E Aspen pede o mesmo para a América na esperança de que ela pudesse ter um futuro melhor do que teria com ele. Sem acreditar que seria escolhida, América resolve se inscrever para agradar ambos os lados e mostrar que ao menos tinha tentado. 

Porém, no dia do anúncio oficial, seu nome está entre as selecionadas e um misto de sentimentos invade ela, o medo de enfrentar uma realidade de vida tão diferente da sua, a curiosidade devido essa diferença e a tristeza em ter que abandonar seu amor, Aspen.

Ela que sempre fora uma garota simples e que acreditava não precisar de muito para viver, vê-se diante de um futuro que ela nunca tinha ousado imaginar e diante de um príncipe muito diferente do que ela imagina, sem arrogância, prepotência, vaidade...mas cheio de bondade, humildade e bom humor. 
''Desde o começo da Seleção, vinha pensando que minha vida seria arruinada ali. Mas, naquele momento, o castelo parecia exatamente o lugar em que eu deveria estar. '' (página 357) 
Se você não leu ainda, sei que, possivelmente, deve estar pensando: ''ahh..35 meninas pra um príncipe escolher?! Sério que é só isso?'' 
O livro é clichê, mas é muito bom para ler depois de um livro mais ''pesado'', fluido, recheado de diálogos cheio de humor e o príncipe..rsrs. Além de retratar a desigualdade social e os problemas relacionados a ela. 

Espero que tenham gostado, como já li os três livros seguintes da série...em breve estarei postando as resenhas aqui. 
Beijos!!

sábado, 9 de abril de 2016

Fale! - Laurie Halse Anderson

Olá, tudo bem? 

A resenha de hoje é de um livro jovem adulto da autora Laurie Halse, confesso que não conhecia a autora e essa foi a primeira obra dela que li, mas, com certeza, vou procurar outras.
Ela tem um jeito leve de escrever e um linguajar bem juvenil, o que acaba aproximando os leitores embora se trate de uma temática tão delicada. 

Fale! relada a vida de Melinda, uma jovem estudante normal. Porém, depois de uma festa organizada pelos veteranos da escola, com bebida a vontade, dança, música...ela chama a polícia e, assim, acaba com toda a festa. A partir disso, o mundo ao seu redor vai se transformar. Seus poucos amigos, ela vai perder; de repente a maioria da escola passa a olha-lá com desdém e raiva; além dos vários xingamentos e o bullying que ela sofre.

Incompreendida, solitária e com medo, Melinda tentará continuar sua vida, mas os fantasmas daquela noite a perseguem diariamente. Seus pais parecem não notar que a filha tem sofrido e que algo de errado está acontecendo; para piorar, estão em um casamento falido, prestes a qualquer momento desabar; a única menina que se aproximou dela após o ocorrido, Heather, se torna alguém fútil e egoísta, logo fazendo parte também do mundo o qual a Melinda luta contra. Desse modo, ela perde o gosto pelas coisas que a agradavam e se isola cada vez mais.

Resta a ela, apenas, dedicar-se a única aula que desperta nela sua atenção, a aula de arte. Com essas aulas e com a ajuda do professor Freeman, ela aprenderá a despertar e expressar seus sentimentos e, assim, se libertar de tudo que a aprisiona. 
''Pense em amor ou ódio, ou em alegria, ou em raiva; o que quer que a faça sentir algo, que leve as palmas de suas mãos a suarem ou os dedos de seus pés a se crisparem. Concentre-se nesse sentimento. Quando as pessoas não se expressam, vão morrendo aos poucos. Você ficaria chocada se soubesse quantos adultos estão realmente mortos por dentro, vivendo sem ter ideia de quem são..''(pág.144)

Através dessas aulas e da vontade de ajudar uma garota chamada Rachel a não passar pelo mesmo que ela  passou, mesmo sabendo que ela não a considera mais como sua amiga, Melinda buscará dentro de si mesma forças e seu antigo eu, a fim de se reerguer e reverter essa situação.
''A verdade é que estou tropeçando às cegas numa floresta de espinhos - meu pai e minha mãe se odeiam, a Rachel me detesta, a galera do colégio fica com ânsia de vômito quando me vê, como se eu fosse uma bola de pelos. E a Heather...''(pág.147)
O que mais impressiona no livro é que no decorrer da leitura, nota-se que a história não é ficcional ou algo distante de nós. Existem muitas Melindas por aí que sofrem com o bullying nas escolas, com uma família desestruturada e com pessoas que não as compreendem e, assim, as julgam mal. Com certeza, nós já presenciamos situações semelhantes.



No começo do livro tem um poema emocionante montado pela própria autora com trechos de cartas e mensagens que ela recebeu, os quais unidos tratam do tema do livro. Além de uma entrevista com a autora. 


Algumas crianças começam a acreditar que merecem ser agredidas. Com o decorrer do tempo, uma pessoa vítima de bullying pode desenvolver uma mentalidade de vítima, o que mantém o ciclo de agressões.
(Craig & Pepler, 2000).

domingo, 6 de março de 2016

O Harém de Kadafi - Annick Cojean

Olá, pessoal!! 

A resenha de hoje é de um livro que trata de um assunto forte e o faz de maneira direta, sem ocultar nem amenizar as crueldades nele relatadas.
Foi escrito pela jornalista francesa Annick Cojean e a escrita do livro, para mim, foi maçante. Eu sempre esperava algo acontecer para impulsionar a leitura, mas nunca acontecia esse ápice, então foi um livro que eu demorei um tempinho para conseguir ler. 



Bem, o livro desvenda a história por trás das amazonas de Kadafi, nome das mulheres que compunham o seu exército, e o que acontecia dentro de Bab Azizya, local no qual Kadafi morava em Trípole.  

É relatado a história de Soraya que após receber uma visita do ditador na sua escola, teria sido escolhida por ele e sequestrada da sua família para ser mais um integrante do seu harém. 
''Apertou levemente meu ombro e pousou a mão sobre minha cabeça, acariciando-me os cabelos. E minha vida terminava aí. Pois esse gesto, como vim a saber mais tarde, era um sinal a suas guardas-costas que significava: ''Esta aqui, eu a quero!'' 

A partir desse momento, Soraya, com apenas 15 anos, perde a sua infância e é abusava e agredida diversas vezes pelo ditador, além de ser forçada a ingerir álcool e cheirar cocaína. 
De repente, quem ela admirava, tinha se transformado em um monstro e ele destruiria sua vida para sempre. 
''Eu jamais vou esquecer. Ele profanava meu corpo, mas era minha alma que transpassava com um golpe de punhal. A lamina jamais saiu.''

Kadafi era um sádico que abusava de crianças, mulheres e homens. Além de utilizar do sexo como arma de poder, quando se encontrava com rainhas, princesas, mulheres de ministros, famosas e, nesses momentos, ele se sentia superior aos demais, principalmente, quando essas mulheres eram esposas de seus inimigos políticos. 



Além disso, o livro revela que as mulheres que integravam o seu exército, as amazonas, eram mulheres que também era abusadas por ele e algumas relatam que teriam sido obrigadas a compor o exército de Kadafi, que o acompanhava sempre em suas viagens internacionais e chamava atenção por onde passava por ser composto apenas por mulheres. Ao contrário do que alguns pensavam, ele não era feminista, mas, sim, um homem que utilizava do seu poder para satisfazer seus desejos sádicos. 



Se o estupro já é um assunto delicado de se tratar, que dirá na Líbia, país em que o estupro traz vergonha para toda a família, até mesmo para toda a aldeia. Muitas das mulheres que foram abusadas por ele e pelos soldados dos exércitos líbios tiveram de recorrer a himenoplastia para que, assim, pudessem casar e tentar seguir suas vidas. Desse modo, essa realidade se encontra enterrada, ainda mais porque pode trazer a vergonha para toda uma nação.
''Se o estrupo de uma jovem causa a desonra de sua família como um todo, em especial a dos homens, a violação de milhares de mulheres pelo antigo dirigente do país só poderia suscitar a desonra de toda a nação. Ideia dolorosa demais.''

Quero deixar aqui o link de uma matéria muito interessante da Folha de São Paulo, feita em 2011, que retratada justamente dessa questão do estupro na Líbia.

Espero que tenham gostado da resenha, como eu já disse, a escrita do livro não é das melhores, mas é muito válido ler e exige de nós uma grande maturidade.


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Minha Vida Fora de Série - 2° Temporada

Olá, pessoal!! Tudo bem com vocês? 


A resenha de hoje é do segundo livro da Paula Pimenta da coleção Minha Vida Fora de Série. Como o primeiro, esse veio maravilhoso e recheado de situações inesperadas.

Nesse livro, a Priscila, personagem principal, encontra-se com 16 anos e tem de lidar com novas situações que exigem dela uma maturidade maior, como o vestibular que se aproxima e mesmo o seu namoro, em que ela precisa saber lidar bem para que ele não caia na rotina. 

O livro começa com o retorno da Pri para a Disney com suas amigas, porém, nessa viagem, ela vivencia momentos que ela não consegue deixar no passado e mesmo depois de ela ter retornado ao Brasil ainda a perseguem. Afetando, até mesmo, o seu namoro com o Rodrigo. 

Esse percebe a diferença no tratamento dela com ele e além disso os dois estão enfrentando uma crise no namoro, porque ela não o vê mais como o Rodrigo que ela se apaixonou inicialmente e nem mesmo ele a vê como a mesma Priscila. 

Chateados um com o outro, cada um decide ocupar seu dia a dia com outras atividades, a Pri se ocupa com o Grêmio da escola e o Rodrigo entra em uma banda a qual toma bastante tempo dele. Essa situação faz com que eles se afastem cada vez mais.

E vai ser preciso muita maturidade dos dois personagens para lidar e vencer todos esses obstáculos.

Bem, o livro é maravilhoso, continua com aquela leitura leve e deliciosa, bem Paula Pimenta mesmo, e a cada livro dela eu me torno mais fã ainda desse jeito envolvente que ela tem de escrever. E o que mais me encanta também nesses livros são os personagens e o ambiente em que se passa a história. Como eu sou bem próxima da idade deles, até pouco tempo atrás eu vivenciava as mesmas experiências e é bom demais reviver tudo isso através desses livros.

Não vejo a hora de comprar o meu terceiro livro da coleção!!! Espero que tenha gostado e em breve eu resenho o livro Fazendo Meu Filme da Paula também.

Beijos! Até mais! 


quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

A Extravagância do Morto - Agatha Christie

Olá, pessoal?! Tudo bem?

Hoje vou resenhar o primeiro livro da Agatha que li, eu nunca tinha lido nada da autora, mas sempre ouvia falar bem e tinha vontade de conhecer os enredos dela. Até que fui trocar uns livros no sebo e uma das trocas foi por esse livro.



Bom, a história quando Ariadne Oliver, uma famosa escritora de livros policiais, organiza uma ''caça ao assassino'', o qual é um assassinato, irreal, óbvio, todo planejado e com pistas, a fim de que as pessoas possam analisar e buscar achar quem cometeu o crime. A pessoa que acertasse ganharia um prêmio.

Porém, Ariadne tem um mau pressentimento de que alguém pode aproveitar o evento e cometer um assassinato de verdade e, por isso, ela liga para o detetive Poirot e pede para que ele também participe da quermesse para se caso algo, de fato, ocorra, ele possa ajudar.

E, realmente, um assassinato real acontece durante o evento, no qual havia cerca de duzentas pessoas e qualquer uma delas poderia ser o assassino. Além disso, a anfitriã da festa, Hattie, desaparece.
As investigações começam e todos os envolvidos com o evento são pontados como suspeitos. 
Poirot foi chamado para tentar impedir que um crime real acontecesse e como não conseguiu, ele se esforça bastante para desvendar esse assassinato. E como em todos crimes, irão haver diversas pistas verdadeiras e falsas e até mesmo pistas que passarão despercebidas.

No geral, é uma boa história, eu gostei e pretendo ler outros dela. Mas achei o começo do livro um pouco maçante, as coisas demoraram a acontecer e ficou uma parte monótona então. Entretanto, assim que o assassinato ocorre, tudo flui e eu li rapidamente. 

Espero que tenha gostado. Quem já for fã da autora me indiquem alguns que vocês gostam dela, por favor.

Beijos, até a próxima! 

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

O Auto da Compadecida - Ariano Suassuna

Olá, gente!! 

A resenha de hoje é de uma obra que eu adoro e de uma homem que, para mim, é incrível. Eu acho o Ariano uma pessoa extremamente inteligente e hilária. 

A obra é um auto, ou seja, uma peça com um único ato e faz críticas à Igreja e aos poderosos que exercem grande influência na região, ao mesmo tempo que exalta os mais humildes. É marcada por vários elementos da região nordeste, como o cangaço, o coronelismo, a tradição religiosa e a cultura popular. O livro é um misto dos autos medievais com a literatura de cordel. A leitura é leve, rápida e o linguajar simples.

Todo o enredo da história é baseado nas artimanhas do ''amarelo'' João Grilo, o qual, constantemente, articula situações de uma maneira engenhosa para conseguir o que quer e sobreviver em meio a vida desigual de Taperoá. Junto com seu amigo, Chicó, eles vão se participar de diversas ''embrulhadas '' que vão levar à um tribunal celeste com Jesus, Maria e o Diabo. 



São diversos episódios engraçados, como o testamento da cachorra, que por isso foi enterrada e em latim. Além do caso amoroso ente Chicó e sua patroa, Dora.

A obra também foi adaptada para o cinema e é tão bom quanto o livro. Para mim, foi uma adaptação muito boa e o que foi acrescentado ao filme só serviu para enaltecer ainda mais a história e tornar-se ainda mais engraçada. 


Para quem quiser, vou deixar um trecho aqui para vocês conferirem.

João Grilo: – Padre João! Padre João!
Padre, aparecendo na igreja: – Que há? Que gritaria é essa?
Chicó: – Mandaram avisar para o senhor não sair, porque vem uma pessoa aqui trazer um cachorro que está se ultimando para o senhor benzer.
Padre: – Para eu benzer?
Chicó: – Sim.
Padre, com desprezo: – Um cachorro? 
Chicó: – Sim.
Padre: – Que maluquice! Que besteira!
João Grilo: – Cansei de dizer a ele que o senhor benzia. Benze porque benze, vim com ele. 
Padre: – Não benzo de jeito nenhum.
Chicó: – Mas padre, não vejo nada de mal em se benzer o bicho.
João Grilo: – No dia em que chegou o motor novo do major Antônio Morais o senhor não o benzeu?
Padre: – Motor é diferente, é uma coisa que todo mundo benze. Cachorro é que eu nunca ouvi falar.
Chicó: – Eu acho cachorro uma coisa muito melhor do que motor.
Padre: – É, mas quem vai ficar engraçado sou eu, benzendo o cachorro. Benzer motor é fácil, todo mundo faz isso, mas benzer cachorro?
João Grilo: – É, Chicó, o padre tem razão. Quem vai ficar engraçado é ele e uma coisa é o motor do major Antônio Morais e outra benzer o cachorro do major Antônio Morais.
Padre, mão em concha no ouvido: – Como?
João Grilo: – Eu disse que uma coisa era o motor e outra o cachorro do major Antônio Morais.
Padre: – E o dono do cachorro de quem vocês estão falando é Antônio Morais?
João Grilo: – É. Eu não queria vir, com medo de que o senhor se zangasse, mas o major  é rico e poderoso e eu trabalho na mina dele. Com medo de perder meu emprego, fui forçado a obedecer, mas disse a Chicó: o padre vai se zangar.
Padre, desfazendo-se em sorrisos: – Zangar nada, João! Quem é um ministro de Deus para ter direito de se zangar? Falei por falar, mas também vocês não tinham dito de quem era o cachorro!
João Grilo, cortante: – Quer dizer que benze, não é?
Padre, a Chicó: – Você o que é que acha?
Chicó: – Eu não acho nada de mais.
Padre: – Nem eu. Não vejo mal nenhum em abençoar as criaturas de Deus.
João Grilo: – Então fica tudo na paz do Senhor, com cachorro benzido e todo mundo satisfeito.
Padre: – Digam ao major que venha. Eu estou esperando.
Chicó: – Que invenção foi essa de dizer que o cachorro era do major Antônio Morais?
João Grilo: – Era o único jeito de o padre prometer que benzia. Tem medo da riqueza do major que se péla. Não viu a diferença? Antes era “Que maluquice, que besteira!”, agora “Não vejo mal nenhum em se abençoar as criaturas de Deus!”.
Chicó: – Isso não vai dar certo. Você já começa com suas coisas, João. E havia necessidade de inventar que era empregado de Antônio Morais?
João Grilo: – Meu filho, empregado do major e empregado de um amigo do major é quase a mesma coisa. O padeiro vive dizendo que é amigo do homem, de modo que a diferença é muito pouca. Além disso, eu podia perfeitamente ter sido mandado pelo major, porque o filho dele está doente e pode até precisar do padre.
Chicó: – João, deixe de agouro  com o menino, que isso pode se virar por cima de você.
João Grilo: – E você deixe de conversa. Nunca vi homem mais mole do que você, Chicó. O padeiro mandou você arranjar o padre para benzer o cachorro e eu arranjei sem ter sido mandado. Que é que você quer mais? 

Trecho do Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, encenado pela primeira vez em 1956. O escritor e pesquisador de cultura popular morreu em 23 de julho


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