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domingo, 31 de agosto de 2014

O Melhor de Mim - Nicholas Sparks

Olá, gente! 

Acabei mais esse livro do Nicholas e vamos lá para mais uma resenha!!


O Melhor de Mim relata a história de dois jovens, Amanda Collier e Dawson Cole, que se apaixonaram na primavera de 1984. Ela é pertencente a uma família tradicional, a qual não aceitava Dawson devido ele vim de uma família de criminosos, que possui uma má fama na pequena cidade de Oriental. Apesar disso o casal  não vê barreiras que impeçam essa união tão forte e verdadeira criada e não se incomodam com a opinião da família e nem dos habitantes da cidade. 

Entretanto, por não querer que Amanda perca um futuro que promete ser tão promissor  e sua ingressão na faculdade, Dawson, contra própria vontade, pede que ela siga seu caminho como a família deseja, porque ele não poderia proporcionar uma vida de qualidade para ela. 
Ambos arrasados com esse triste fim tentam continuar aos poucos seus planos. 

O que eles não imaginariam era que após 25 anos a morte de Tuck Hostetler, o único que apoiava o namoro dos dois, faria com que eles se reencontrassem. Agora com Amanda já casada com um dentista chamado Frank, junto do qual teve quatro filhos; e Dawson ainda solteiro, por nunca ter esquecido o verdadeiro amor que conheceu em 1894, permanecendo sempre em sua memórias todas as lembranças. 

Quando Tuck morreu deixou três cartas que irão gerar dúvidas, incertezas, temor, mas, acima de tudo, a certeza que o sentimento que uniu Dawson e Amanda em 84 ainda existe mesmo depois de tantos anos, quando os  dois vivem e revivem momentos juntos. Após esse final de semana mudanças bruscas e inesperadas irão acontecer.



Possui um final surpreendente e que eu não imaginaria nunca que aconteceria, achei uma história bastante criativa do Nicholas, o qual novamente satisfez com mais um de seus livros. Ele conseguiu gerar dúvidas no leitor e nos últimos quatro capítulos a história dá uma reviravolta realmente surpreendente. Vale demais a pena ler e conferir também o filme que em breve irá aos cinemas, espero que seja igualmente bom. 
Vou deixar aqui no post o trailer para quem quiser conferir. 

Por favor, se puderem, curtam a página do meu blogger no face, aqui. Obg!!


sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Paixão Índia - A Verdadeira História da Princesa de Kapurthala - Javier Moro

Olá, gente! 


Venho comentar sobre o livro Paixão Índia - A Verdadeira História da Princesa de Kapurthala de Javier Moro, um livro que vinha sendo ''empurrado'' devido a falta de tempo, mas ainda bem que o li. Com certeza, valeu muito a pena. 

Sinopse: 
Com mais de 300 mil exemplares vendidos somente na Espanha, Paixão Índia encanta os leitores com a história de Anita Delgado, a jovem bailarina andaluza que se transformou em princesa na Índia. Anita era apenas uma bailarina quando um marajá indiano se apaixonou por ela, construiu um palácio e a transformou em princesa, mas não em sua única mulher. Na Índia colonial do início do século XX, Anita e o rajá de Kapurthala viveram uma história de amor que provocou um inevitável choque cultural entre oriente e ocidente, mundos, na época, com costumes completamente diferentes. As outras mulheres do marajá e seus súditos viam em Anita uma ameaça à tradição hindu, o conflito entre os dois lados era inevitável. Apesar de estar cercada de vassalos e luxo, a jovem vivia na mais completa solidão.

Meus comentários: 

Um conto de fadas longe de ter um término no tradicional ''felizes para sempre'', mas sem pender seu encanto, na verdade, é uma obra maravilhosa. Afinal não é o obrigatório um final ideal, na visão romântica, para que seja um bom romance. 

Anita Delgado é uma jovem bailarina, a qual avistou o encantador rajá de Kapurthala em um desfile e nunca imaginaria o futuro que ele a proporcionaria e o tudo que vivenciaria juntamente dele. Depois do rajá ver a bela Anita dançando em sua apresentação não resistiu aos seus encantos e apaixonou- se, após várias tentativas de aproximação finalmente os pais da jovem decidem conversar com o rajá. 

Ele explicando-se disse que gostaria de casar com Anita e fazer dela a esposa, amante e amiga que desejava, além de a instruir com os conhecimentos que uma mulher da alta sociedade da época possuía e garantia que ela seria tratada como uma esposa ocidental. 
Para uma família humilde essa era uma oportunidade de mudar de vida e então, de certa forma, Anita é ''entregue'' ao rajá. Divida entre o temor de um futuro incerto e a curiosidade de um novo mundo que a espera, do outro lado do Ocidente. 


É é lá, na Índia, que a dançarina andaluza vive bons momentos com o rajá e onde nasce o filho do casal. Apesar da posição de destaque que o rajá dá a Anita em sua vida, algo começa a mudar e ela se torna triste e solitária em um país que a discrimina por sua origem e além de as outras quatro esposas do rajá a criticarem por sua liberdade e destaque feita pelo seus maridos, apesar de ser a última esposa. 



Vale a pena buscar ler a obra e conhecer o desfecho, além do lado cultural indiano, que é bastante rico de informações e detalhes na obra. E tenho que falar para vocês que na minha opinião o final de verdade é bem melhor do modo que ele é, o final ideal para mim é bem próximo do que nos é apresentado na obra. 

Por favor, quem puder, curte a página do blogger no face, aqui.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Filme Histórias Cruzadas (The Help)

Olá,gente!!




Recentemente descobri um filme muito bom e que também possui um livro, Histórias Cruzadas ( The Help). Hoje vou falar dele aqui no blogger. 



Skeeter, uma jovem a frente de seu tempo, bastante madura e decidida, (Emma Stone) almeja ser escritora, porém apenas escrevia no jornal da cidade, quando surge a oportunidade de escrever e sobre o que desejar, decide escrever sobre a situação das negras que se dedicam a cuidar da casa e das crianças da elite branca, deixando as próprias casas e filhos sem o auxílio materno. 


Essas empregadas e babás negras, nos anos 60, período em que se passa o filme, eram fortemente discriminadas pela elite. Por exemplo, como é mostrado no filme, as empregadas não poderiam usar os banheiros das patroas e possuíam então os próprios, pois estas consideravam que as negras poderiam passar doenças que não existiam na pessoas brancas. 





Entretanto era bastante difícil  para Skeeter juntar empregadas dispostas a ajudar, pois elas temiam ser demitidas, ou algo pior, como a casa ser incendiada, o que não era tão incomum naquele período. 
A empregada da melhor amiga de Skeeter, Aibillen, é a primeira a ajudar mesmo estando temerosa e ambas formam uma grande dupla para levar esse livro adiante. Logo após Minny junta-se a Aibillen e relata o que já viveu em sua vida de empregada da sociedade branca.




Porém era preciso muito mais que duas empregadas, mas nenhuma se dispunha a participar, até que Medgar Evers é assassinado e uma empregada da cidade é presa por roubar um anel de diamantes da patroa para pagar a faculdade dos filhos; então várias empregadas decidem ajudar e recheiam o livro de histórias de suas vidas como segregadas na sociedade. 





Enquanto escrevia o livro, Skeeter busca saber sobre o sumiço relâmpago da empregada que a criou, diversas vezes havia insistido com sua mãe para que contasse o que de fato teria ocorrido. Até que, finalmente, ela pode saber o que aconteceu com a empregada Constantine.

...bem, vou parando por aqui, porque já falei demais, rs.


O filme aqui no Brasil é nomeado de Histórias Cruzadas, mas o livro é A Resposta. 



Vou deixar aqui o trailer do filme: 





Espero que tenham gostado e procurem ler ou ver o filme, é muito interessante ver como era baseada a sociedade dos anos 60. 



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segunda-feira, 23 de junho de 2014

Moraliza o Poeta nos Ocidentes do Sol a Inconstância dos Bens do Mundo - Gregório de Matos





Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.


In: MATOS, Gregório de. Obra poética.


sexta-feira, 20 de junho de 2014

Filme - Cartas para Julieta

Olá, pessoal!!

Hoje, vim falar para vocês de um filme que acho maravilhoso, romântico e, o melhor, tem grande parte da sua história passada na Itália, o que enriquece ainda mais o filme. Descobri que ele é adaptado de um livro, como ainda não o li, infelizmente, não vou poder fazer uma comparação entre ambos.


Conta a história de Sophie, checadora de fatos, que tem o desejo de se tornar uma escritora.Ela viaja com seu noivo para Itália para uma pré-lua de mel. A viagem tinha tudo para ser única e romântica, mas  seu noivo dedica mais tempo entrando em contato com os fornecedores dos produtos do restaurante que está para inaugura à ficar com sua noiva.

Determinada a conhecer a Itália, ela decide conhecer os pontos turísticos sozinha, enquanto seu noivo desfruta da culinária do país. Um dos locais que ela visita é a Casa de Julieta, onde muitas garotas entregam cartas, relatando suas vidas amorosas, à Julieta. Posteriormente, mulheres intituladas Secretárias de Julieta as respondem.




Interessada em conhecer mais sobre o trabalho dessas mulheres, Sophie decide ajudá-las a responderem as cartas. E será assim que um dia ela encontrará uma carta escrita há muitos anos atrás que a toda profundamente e, por isso, ela decide mesmo diante de todo o tempo passado responder a dona da carta.

'' ‘E’ e ‘Se’ são duas palavras tão inofensivas quanto qualquer palavra. Mas coloque-as juntas, lado a lado, e elas têm o poder de assombrá-la pelo resto de sua vida. ‘E se?’… E se? E se? Não sei como sua história acabou. Mas se o que você sentia na época era amor verdadeiro, então nunca é tarde demais. Se era verdadeiro, então, por que não o seria agora? Você só precisa ter coragem para seguir seu coração. Não sei como é sentir amor como o de Julieta, um amor pelo qual abandonar os entes queridos, um amor pelo qual cruzar os oceanos. Mas gosto de pensar que, se um dia eu o sentisse, eu teria a coragem de agarrá-lo. E se você não o fez, espero que um dia o faça.''
A partir do encontro com Claire, Sophie tem novas oportunidades em suas mãos, dentre elas a possibilidade de escrever uma história que possa, finalmente, a tornar uma escritora. Além disso, sua viagem pela Itália a fará questionar sobre seu relacionamento com seu noivo.


Espero retornar depois com uma resenha do livro. Deixo com vocês o trailer:




Espero que tenham gostado!

Quem puder, curte a página do blogger no facebook, aqui. Beijos!

“Duvides que as estrelas sejam fogo,duvides que o sol se mova, duvides que a verdade seja mentira, mas não duvides jamais de que te amo”. Shakespeare

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Se Tu Viesses Ver-me - Florbela Espanca

                                                         

Se tu viesses ver-me

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...

Florbela Espanca

sábado, 17 de maio de 2014

Conto Uma Senhora - Machado de Assis

No conto Uma Senhora, de Machado de Assis, o autor relata sobre D. Camila, senhora vaidosa a qual não queria aceitar a velhice. 

Machado faz críticas ao desejo incessante que muitas mulheres possuem de buscar a beleza e de se importarem com a opinião alheia. Aliás, o conto pode ser trazido para a atualidade, por ser o que se perpetua ainda para muitas mulheres e até mesmo não somente no universo feminino. 

''Dir-me-á o leitor que a beleza vive de si mesma, e que a preocupação do calendário mostra que esta senhora vivia principalmente com os olhos na opinião. É verdade; mas como quer que vivam as mulheres do nosso tempo? ''
No conto, D. Camila é comparada a deusa Hebe, esta representa a juventude, e segundo os relatos da narração a beleza daquela era tanta que superava a da sua jovem filha, Ernestina.


''Eram ambas bonitas, e Ernestina tinha a frescura dos anos; mas a beleza da mãe era mais perfeita, e apesar dos anos, superava a da filha.''
Esta filha que teve sua infância prolongada ao máximo pela mãe, que a vestia como criança e também a tratava como uma; tudo para preservar sua jovialidade. 

Porém, com o passar do tempo,  Ernestina encontra alguns pretendes, entretanto a mãe repulsa essa ideia e encontra defeitos em todos esses. Juntamente com os pretendentes da filha, surge o primeiro fio de cabelo branco causando um verdadeiro desespero nela; a qual o arranca para que ninguém note.



Não podendo mais impedi-lá de casar acabou cedendo, pouco depois do casamento Ernestina tem um filho. D. Camila, agora avó, passa a ter cuidados excessivos com o neto, parecendo não a avó, mas a mãe. 

''Era o neto. Ela, porém, ia tão apertadinha, tão cuidadosa da criança, tão a miúdo, tão sem outra senhora, que antes parecia mãe do que avó; e muita gente pensava que era mãe. Que tal fosse a intenção de D. Camila não o juro eu [...]...Tão-somente digo que nenhuma outra mãe seria mais desvelada do que D. Camila com o neto; atribuírem-lhe um simples filho era a coisa mais verossímil do mundo. ''

Trechos do conto:  


''D. Camila [..]...será Hebe, deusa da juventude; a senhora nos dará a beber o néctar da perenidade com as suas mãos eternamente moças.''
''Nenhum defeito, pois, exceto o de retardar os anos; mas é isso um defeito? Há, não me lembra em que página da Escritura, naturalmente nos Profetas, uma comparação dos dias com as águas de um rio que não voltam mais. D. Camila queria fazer uma represa para seu uso. ''

Espero que tenham se interessado pelo conto. Vou deixar o link, aqui,  do conto integral  no blogger. E uma peça realizada por alguns alunos sobre o conto.  




Uma Senhora - Machado de Assis




Nunca encontro esta senhora que me não lembre a profecia de uma lagartixa ao poeta Heine, subindo os Apeninos: "Dia virá em que as pedras serão plantas, as plantas animais, os animais homens e os homens deuses". E dá-me vontade de dizer-lhe: — A senhora, D. Camila, amou tanto a mocidade e a beleza, que atrasou o seu relógio, a fim de ver se podia fixar esses dois minutos de cristal. Não se desconsole, D. Camila. No dia da lagartixa, a senhora será Hebe, deusa da juventude; a senhora nos dará a beber o néctar da perenidade com as suas mãos eternamente moças.   


A primeira vez que a vi, tinha ela trinta e seis anos, posto só parecesse trinta e dois, e não passasse da casa dos vinte e nove. Casa é um modo de dizer. Não há castelo mais vasto do que a vivenda destes bons amigos, nem tratamento mais obsequioso do que o que eles sabem dar às suas hóspedes. Cada vez que D. Camila queria ir-se embora, eles pediam-lhe muito que ficasse, e ela ficava. Vinham então novos folguedos, cavalhadas, música, dança, uma sucessão de coisas belas, inventadas com o único fim de impedir que esta senhora seguisse o seu caminho.  

 — Mamãe, mamãe, dizia-lhe a filha crescendo, vamos embora, não podemos ficar aqui toda a vida.  

 D. Camila olhava para ela mortificada, depois sorria, dava-lhe um beijo e mandava-a brincar com as outras crianças. Que outras crianças? Ernestina estava então entre catorze e quinze anos, era muito espigada, muito quieta, com uns modos naturais de senhora. Provavelmente não se divertiria com as meninas de oito e nove anos; não importa, uma vez que deixasse a mãe tranqüila, podia alegrar-se ou enfadar-se. Mas, ai triste! há um limite para tudo, mesmo para os vinte e nove anos. D. Camila resolveu, enfim, despedir-se desses dignos anfitriões, e fê-lo ralada de saudades. Eles ainda instaram por uns cinco ou seis meses de quebra; a bela dama respondeu-lhes que era impossível e, trepando no alazão do tempo, foi alojar-se na casa dos trinta.


Ela era, porém, daquela casta de mulheres que riem do sol e dos almanaques. Cor de leite, fresca, inalterável, deixava às outras o trabalho de envelhecer. Só queria o de existir. Cabelo negro, olhos castanhos e cálidos. Tinha as espáduas e o colo feitos de encomenda para os vestidos decotados, e assim também os braços, que eu não digo que eram os da Vênus de Milo, para evitar uma vulgaridade, mas provavelmente não eram outros. D. Camila sabia disto; sabia que era bonita, não só porque lho dizia o olhar sorrateiro das outras damas, como por um certo instinto que a beleza possui, como o talento e o gênio. Resta dizer que era casada, que o marido era ruivo, e que os dois amavam-se como noivos; finalmente, que era honesta. Não o era, note-se bem, por temperamento, mas por princípio, por amor ao marido, e creio que um pouco por orgulho.   


Nenhum defeito, pois, exceto o de retardar os anos; mas é isso um defeito? Há, não me lembra em que página da Escritura, naturalmente nos Profetas, uma comparação dos dias com as águas de um rio que não voltam mais. D. Camila queria fazer uma represa para seu uso. No tumulto desta marcha contínua entre o nascimento e a morte, ela apegava-se à ilusão da estabilidade. Só se lhe podia exigir que não fosse ridícula, e não o era. Dir-me-á o leitor que a beleza vive de si mesma, e que a preocupação do calendário mostra que esta senhora vivia principalmente com os olhos na opinião. É verdade; mas como quer que vivam as mulheres do nosso tempo?   


D. Camila entrou na casa dos trinta e não lhe custou passar adiante. Evidentemente o terror era uma superstição. Duas ou três amigas íntimas, nutridas de aritmética, continuavam a dizer que ela perdera a conta dos anos. Não advertiam que a natureza era cúmplice no erro, e que aos quarenta anos (verdadeiros), D. Camila trazia um ar de trinta e poucos. Restava um recurso: espiar-lhe o primeiro cabelo branco, um fiozinho de nada, mas branco. Em vão espiavam; o demônio do cabelo parecia cada vez mais negro.   


Nisto enganavam-se. O fio branco estava ali; era a filha de D. Camila que entrava nos dezenove anos, e, por mal de pecados, bonita. D. Camila prolongou, quanto pôde, os vestidos adolescentes da filha, conservou-a no colégio até tarde, fez tudo para proclamá-la criança. A natureza, porém, que não é só imoral, mas também ilógica, enquanto sofreava os anos de uma, afrouxava a rédea aos da outra, e Ernestina, moça feita, entrou radiante no primeiro baile. Foi uma revelação. D. Camila adorava a filha; saboreou-lhe a glória a tragos demorados. No fundo do copo achou a gota amarga e fez uma careta. Chegou a pensar na abdicação; mas um grande pródigo de frases feitas disse-lhe que ela parecia a irmã mais velha da filha, e o projeto desfez-se. Foi dessa noite em diante que D. Camila entrou a dizer a todos que casara muito criança.


   Um dia, poucos meses depois, apontou no horizonte o primeiro namorado. D. Camila pensara vagamente nessa calamidade, sem encará-la, sem aparelhar-se para a defesa. Quando menos esperava, achou um pretendente à porta. Interrogou a filha; descobriu-lhe um alvoroço indefinível, a inclinação dos vinte anos, e ficou prostrada. Casá-la era o menos, mas, se os seres são como as águas da Escritura, que não voltam mais, é porque atrás deles vêm outros, como atrás das águas outras águas; e, para definir essas ondas sucessivas é que os homens inventaram este nome de netos. D. Camila viu iminente o primeiro neto, e determinou adiá-lo. Está claro que não formulou a resolução, como não formulara a idéia do perigo. A alma entende-se  a si mesma; uma sensação vale um raciocínio. As que ela teve foram rápidas, obscuras, no mais íntimo do seu ser, de onde não as extraiu para não ser obrigada a encará-las.  

 — Mas que é que você acha de mau no Ribeiro? perguntou-lhe o marido, uma noite, à janela.  
D. Camila levantou os ombros.   

— Acho-lhe o nariz torto, disse.  

— Mau! Você está nervosa; falemos de outra coisa, respondeu o marido. E, depois de olhar uns dois minutos para a rua, cantarolando na garganta, tornou ao Ribeiro, que achava um genro aceitável, e se lhe pedisse Ernestina, entendia que deviam ceder-lhe. Era inteligente e educado. Era também o herdeiro provável de uma tia de Cantagalo. E depois tinha um coração de ouro. Contavam-se dele coisas muito bonitas. Na academia, por exemplo... Dona Camila ouviu o resto, batendo com a ponta do pé no chão e rufando com os dedos a sonata da impaciência; mas, quando o marido lhe disse que o Ribeiro esperava um despacho do ministro de Estrangeiros, um lugar para os Estados Unidos, não pôde ter-se e cortou-lhe a palavra:   

— O quê? separar-me de minha filha? Não, senhor.   

Em que dose entrara neste grito o amor materno e o sentimento pessoal, é um problema difícil de resolver, principalmente agora, longe dos acontecimentos e das pessoas. Suponhamos que era partes iguais. A verdade é que o marido não soube que inventar para defender o ministro de Estrangeiros, as necessidades diplomáticas, a fatalidade do matrimônio, e, não achando que inventar, foi dormir. Dois dias depois veio a nomeação. No terceiro dia, a moça declarou ao namorado que não a pedisse ao pai, porque não queria separar-se da família. Era o mesmo que dizer: prefiro a família ao senhor. É verdade que tinha a voz trêmula e sumida, e um ar de profunda consternação; mas o Ribeiro viu tão-somente a rejeição, e embarcou. Assim acabou a primeira aventura.   


D. Camila padeceu com o desgosto da filha; mas consolou-se depressa. Não faltam noivos, refletiu ela. Para consolar a filha, levou-a a passear a toda parte. Eram ambas bonitas, e Ernestina tinha a frescura dos anos; mas a beleza da mãe era mais perfeita, e apesar dos anos, superava a da filha. Não vamos ao ponto de crer que o sentimento da superioridade é que animava D. Camila a prolongar e repetir os passeios. Não: o amor materno, só por si, explica tudo. Mas concedamos que animasse um pouco. Que mal há nisso? Que mal há em que um bravo coronel defenda nobremente a pátria, e as suas dragonas? Nem por isso acaba o amor da pátria e o amor das mães.   


Meses depois despontou a orelha de um segundo namorado. Desta vez era um viúvo, advogado, vinte e sete anos. Ernestina não sentiu por ele a mesma emoção que o outro lhe dera; limitou-se a aceitá-lo. D. Camila farejou depressa a nova candidatura. Não podia alegar nada contra ele; tinha o nariz reto como a consciência, e profunda aversão à vida diplomática. Mas haveria outros defeitos, devia haver outros. D. Camila buscou-os com alma; indagou de suas relações, hábitos, passado. Conseguiu achar umas coisinhas miúdas, tão-somente a unha da imperfeição humana, alternativas de humor, ausência de graças intelectuais, e, finalmente, um grande excesso de amor-próprio. Foi nesse ponto que a bela dama o apanhou. Começou a levantar vagarosamente a muralha do silêncio; lançou primeiro a camada das pausas, mais ou menos longas, depois as frases curtas, depois os monossílabos, as distrações, as absorções, os olhares complacentes, os ouvidos resignados, os bocejos fingidos por trás da ventarola. Ele não entendeu logo; mas, quando reparou que os enfados da mãe coincidiam com as ausências da filha, achou que era ali demais e retirou-se. Se fosse homem de luta, tinha saltado a muralha; mas era orgulhoso e fraco. D. Camila deu graças aos deuses.   

Houve um trimestre de respiro. Depois apareceram alguns namoricos de uma noite, insetos efêmeros, que não deixaram história. D. Camila compreendeu que eles tinham de multiplicar-se, até vir algum decisivo que a obrigasse a ceder; mas ao menos, dizia ela a si mesma, queria um genro que trouxesse à filha a mesma felicidade que o marido lhe deu. E, uma vez, ou para robustecer este decreto da vontade, ou por outro motivo, repetiu o conceito em voz alta, embora só ela pudesse ouvi-lo. Tu, psicólogo sutil, podes imaginar que ela queria convencer-se a si mesma; eu prefiro contar o que lhe aconteceu em 186...   


Era de manhã. D. Camila estava ao espelho, a janela aberta, a chácara verde e sonora de cigarras e passarinhos. Ela sentia em si a harmonia que a ligava às coisas externas. Só a beleza intelectual é independente e superior. A beleza física é irmã da paisagem. D. Camila saboreava essa fraternidade íntima, secreta, um sentimento de identidade, uma recordação da vida anterior no mesmo útero divino. Nenhuma lembrança desagradável, nenhuma ocorrência vinha turvar essa expansão misteriosa. Ao contrário, tudo parecia embebê-la de eternidade, e os quarenta e dois anos em que ia não lhe pesavam mais do que outras tantas folhas de rosa. Olhava para fora, olhava para o espelho. De repente, como se lhe surdisse uma cobra, recuou aterrada. Tinha visto, sobre a fonte esquerda, um cabelinho branco. Ainda cuidou que fosse do marido; mas reconheceu depressa que não, que era dela mesma, um telegrama da velhice, que aí vinha a marchas forçadas. O primeiro sentimento foi de prostração. D. Camila sentiu faltar-lhe tudo, tudo, viu-se encanecida e acabada no fim de uma semana.  

— Mamãe, mamãe, bradou Ernestina, entrando na saleta. Está aqui o camarote que papai mandou.   


D. Camila teve um sobressalto de pudor, e instintivamente voltou para a filha o lado que não tinha o fio branco. Nunca a achou tão graciosa e lépida. Fitou-a com saudade. Fitou-a também com inveja, e, para abafar este sentimento mau, pegou no bilhete de camarote. Era para aquela mesma noite. Uma idéia expele outra; D. Camila anteviu-se no meio das luzes e das gentes, e depressa levantou o coração. Ficando só, tornou a olhar para o espelho, e corajosamente arrancou o cabelinho branco, e deitou-o à chácara. Out, damned spot! Out! Mais feliz do que a outra lady Macbeth, viu assim desaparecer a nódoa no ar, porque no ânimo dela a velhice era um remorso, e a fealdade um crime. Sai, maldita mancha! sai!  


 Mas, se os remorsos voltam, por que não hão de voltar os cabelos brancos? Um mês depois, D. Camila descobriu outro, insinuado na bela e farta madeixa negra, e amputou-o sem piedade. Cinco ou seis semanas depois, outro. Este terceiro coincidiu com um terceiro candidato à mão da filha, e ambos acharam D. Camila numa hora de prostração. A beleza, que lhe suprira a mocidade, parecia-lhe prestes a ir também, como uma pomba sai em busca da outra. Os dias precipitavam-se. Crianças que ela vira ao colo, ou de carrinho empuxado pelas amas, dançavam agora nos bailes. Os que eram homens fumavam; as mulheres cantavam ao piano. Algumas destas apresentavam-lhe os seus babies, gorduchos, uma segunda geração que mamava, à espera de ir bailar também, cantar ou fumar, apresentar outros babies a outras pessoas, e assim por diante.  


 D. Camila apenas tergiversou um pouco, acabou cedendo. Que remédio, senão aceitar um genro? Mas, como um velho costume não se perde de um dia para outro, D. Camila viu paralelamente, naquela festa do coração, um cenário e grande cenário. Preparou-se galhardamente, e o efeito correspondeu ao esforço. Na igreja, no meio de outras damas; na sala, sentada no sofá (o estofo que forrava este móvel, assim como o papel da parede foram sempre escuros para fazer sobressair a tez de D. Camila), vestida a capricho, sem o requinte da extrema juventude, mas também sem a rigidez matronal, um meio-termo apenas, destinado a pôr em relevo as suas graças outoniças, risonha, e feliz, enfim, a recente sogra colheu os melhores sufrágios. Era certo que ainda lhe pendia dos ombros um retalho de púrpura.  

Púrpura supõe dinastia. Dinastia exige netos. Restava que o Senhor abençoasse a união, e ele abençoou-a, no ano seguinte. D. Camila acostumara-se à idéia; mas era tão penoso abdicar, que ela aguardava o neto com amor e repugnância. Esse importuno embrião, curioso da vida e pretensioso, era necessário na terra? Evidentemente, não; mas apareceu um dia, com as flores de setembro. Durante a crise, D. Camila só teve de pensar na filha; depois da crise, pensou na filha e no neto. Só dias depois é que pôde pensar em si mesma. Enfim, avó. Não havia duvidar; era avó. Nem as feições que eram ainda concertadas, nem os cabelos, que eram pretos (salvo meia dúzia de fios escondidos), podiam por si sós denunciar a realidade; mas a realidade existia; ela era, enfim, avó.   

Quis recolher-se; e para ter o neto mais perto de si, chamou a filha para casa. Mas a casa não era um mosteiro, e as ruas e os jornais com os seus mil rumores acordavam nela os ecos de outro tempo. D. Camila rasgou o ato de abdicação e tornou ao tumulto. 


Um dia, encontrei-a ao lado de uma preta, que levava ao colo uma criança de cinco a seis meses. D. Camila segurava na mão o chapelinho de sol aberto para cobrir a criança. Encontrei-a oito dias depois, com a mesma criança, a mesma preta e o mesmo chapéu de sol. Vinte dias depois, e trinta dias mais tarde, tornei a vê-la, entrando para o bond, com a preta e a criança.
— Você já deu de mamar? dizia ela à preta. Olhe o sol. Não vá cair. Não aperte muito o menino. Acordou? Não mexa com ele. Cubra a carinha, etc., etc.   



Era o neto. Ela, porém, ia tão apertadinha, tão cuidadosa da criança, tão a miúdo, tão sem outra senhora, que antes parecia mãe do que avó; e muita gente pensava que era mãe. Que tal fosse a intenção de D. Camila não o juro eu ("Não jurarás", Mat. V, 34). Tão-somente digo que nenhuma outra mãe seria mais desvelada do que D. Camila com o neto; atribuírem-lhe um simples filho era a coisa mais verossímil do mundo. 




segunda-feira, 24 de março de 2014

A Importância da Gentileza

Sabendo que a vida é um eterno “dar e receber” ou “plantar e colher”, nada mais inteligente do que você procurar ser cada dia mais gentil com todos aqueles que o cercam.
Por isso, vamos refletir sobre alguns atos de gentileza que podem transformar sua vida para melhor:
  Em todo e qualquer convívio, use as expressões mágicas da boa educação: “Por favor”, “obrigado”, “com licença”, “desculpe”.
  Seja amável com seus familiares, assim como você consegue ser com as pessoas que lhe interessam. Declare seu amor para as pessoas que lhe são queridas.
 Cumprimente com um sorriso quem está no mesmo elevador que você, ou em uma fila de espera.
  Ajude uma mãe com o carrinho de seu bebê quando ela demonstrar dificuldades para acessar algum lugar.
 Ajude uma pessoa idosa ou deficiente a atravessar a rua.
 Ofereça-se para ir ao supermercado para um vizinho mais idoso.
 Ceda seu lugar nos transportes públicos para pessoas mais velhas, gestantes, deficientes ou acompanhadas de crianças. Se você estiver sentado, ofereça para carregar sacolas de quem estiver de pé.
 Não interrompa uma pessoa quando ela estiver falando.
 Mantenha contato com aqueles professores que mudaram sua vida.
 De vez em quando, distribua bombons para seus colegas de trabalho.
 Ao ser atendido, ou ao atender alguém, chame essa pessoa pelo nome.
 Em uma visita a um doente, seja otimista e só comente assuntos positivos.
 Ofereça para ajudar um amigo a fazer sua mudança.
 Deixe uma generosa gorjeta para um garçom agradável.
 Ofereça emprestado aquele livro que você gostou de ler.
Estes e outros pequenos gestos, que não custam nada, podem fazer uma grande diferença em seus relacionamentos.
E lembre-se: um sorriso é capaz de derrubar qualquer muralha de indiferença!

(*) Palestrante, apresentadora de TV e autora de livros motivacionaiswww.elianabarbosa.com.br 

Eliana Barbosa 

Via: JMOnline 

** Foi proposto uma redação na minha turma sobre a Gentileza, eu pesquisei sobre o assunto e achei esse texto, particularmente, eu achei muito bom; e resolvi compartilhar com vocês. 



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