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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Analfabetismo no Brasil

Olá!!!

Não é de hoje que sabemos que a educação do nosso país precisa de uma mudança brusca e que o índice de analfabetismo ainda é grande no Brasil. Temos milhões de analfabetos na nossa terra.
Já é ruim não estimularem os jovens a lerem, imagina esse descaso que é feito em relação a educação da nossa sociedade.

O Brasil tem quase 13 milhões de analfabetos e este número caiu apenas 1% em três anos e grande parte deles se concentram na região nordeste.

Segundo  o site Notícias R7:

''O Brasil tem 12,9 milhões de pessoas analfabetas, segundo o relatório de 2012 da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), organizada pelo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) com base em dados de 2011.''

 O que deixa uma frustação ainda maior é saber que grande parte desse número se concentra onde moro, região Nordeste.
'' A região Nordeste é a que tem os piores índices, concentrando mais da metade dos analfabetos do País e registrando índices de analfabetismo de 16,9% entre a população com mais de 15 anos.''
''O Nordeste concentra 52,7% do total de analfabetos do Brasil, segundo pesquisa divulgada(...) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo realizado em 2011 aponta que 12,9 milhões de brasileiros com mais de 15 anos de idade não sabem ler nem escrever. Destes, 6,8 milhões estão na região Nordeste, que tem taxa de analfabetismo de 16,9%, quase o dobro da média nacional, de 8,6%.''

                                                                                                        
Felizmente, temos projetos criados para tentar reduzir este número e ajudar o máximo de pessoas possíveis. Estes desenvolvem propostas e projetos que visam a superação do analfabetismo. 
Exemplos de projetos:

- Projeto Analfabetismo Zero ( funcionou em 2010 para funcionários de indústrias do Rio de Janeiro.
            
Quando falamos nesse assunto geralmente nos perguntamos '' De quem é a culpa??''
 Achei algo semelhante em um artigo do Ailton Salviano:
'' A inexistência de uma política séria, responsável e permanente para a educação pode ser um dos fatores que contribuíram para esse status. Mas não é só isso. Não adianta apenas aumentar desordenadamente o orçamento para a educação. Verbas sem planejamento não solucionam''

É uma questão bastante abrangente. Mas creio que a culpa seja de muitos. Tanto do governo com seu descaso; as pessoas, que mesmo assim o elegem; os pais e tantos outros. Mas sabemos que muitos não tiveram a oportunidade de estudar e não podemos culpar eles por isso. Entretanto, acho que em outras situações esse número é grande devido a falta de interesse que as pessoas demonstram para tentar reverter essa situação.

 Espera-se que o professor desenvolva no seu aluno, em primeiro lugar, o homem de entendimento, depois, o homem de razão, e, finalmente, o homem de instrução. Este procedimento tem esta vantagem: mesmo que, como acontece habitualmente, o aluno nunca alcance a fase final, terá mesmo assim beneficiado da sua aprendizagem. Terá adquirido experiência e ter-se-á tornado mais inteligente, se não para a escola, pelo menos para a vida. Mas isso não acontece em nosso país, infelizmente. Kant
 Fontes:

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O Cemitério - Lima Barreto

Oláááááá!!

Vim postar o conto O cemitério de Lima Barreto.
Para mim foi o melhor conto que eu já li na minha vida. Isso depois de entendê-lo. 
Mas hoje eu realmente adoro demais esse conto. Fiz até um trabalho sobre ele na escola.

O Cemitério

Pelas ruas de túmulos, fomos calados. Eu olhava vagamente aquela multidão de sepulturas, que trepavam, tocavam-se, lutavam por espaço, na estreiteza da vaga e nas encostas das colinas aos lados. Algumas pareciam se olhar com afeto, roçando-se amigavelmente; em outras, transparecia a repugnância de estarem juntas. Havia solicitações incompreensíveis e também repulsões e antipatias; havia túmulos arrogantes, imponentes, vaidosos e pobres e humildes; e, em todos, ressumava o esforço extraordinário para escapar ao nivelamento da morte, ao apagamento que ela traz às condições e às fortunas.
Amontoavam-se esculturas de mármore, vasos, cruzes e inscrições; iam além; erguiam pirâmides de pedra tosca, faziam caramanchéis extravagantes, imaginavam complicações de matos e plantas - coisas brancas e delirantes, de um mau gosto que irritava. As inscrições exuberavam; longas, cheias de nomes, sobrenomes e datas, não nos traziam à lembrança nem um nome ilustre sequer; em vão procurei ler nelas celebridades, notabilidades mortas; não as encontrei. E de tal modo a nossa sociedade nos marca um tão profundo ponto, que até ali, naquele campo de mortos, mudo laboratório de decomposição, tive uma imagem dela, feita inconscientemente de um propósito, firmemente desenhada por aquele acesso de túmulos pobres e ricos, grotescos e nobres, de mármore e pedra, cobrindo vulgaridades iguais umas às outras por força estranha às suas vontades, a lutar...
Fomos indo. A carreta, empunhada pelas mãos profissionais dos empregados, ia dobrando as alamedas, tomando ruas, até que chegou à boca do soturno buraco, por onde se via fugir, para sempre do nosso olhar, a humildade e a tristeza do contínuo da Secretaria dos Cultos.
Antes que lá chegássemos, porém, detive-me um pouco num túmulo de límpidos mármores, ajeitados em capela gótica, com anjos e cruzes que a rematavam pretensiosamente.
Nos cantos da lápide, vasos com flores de biscuit e, debaixo de um vidro, à nívea altura da base da capelinha, em meio corpo, o retrato da morta que o túmulo engolira. Como se estivesse na Rua do Ouvidor, não pude suster um pensamento mau e quase exclamei:
— Bela mulher!
Estive a ver a fotografia e logo em seguida me veio à mente que aqueles olhos, que aquela boca provocadora de beijos, que aqueles seios túmidos, tentadores de longos contatos carnais, estariam àquela hora reduzidos a uma pasta fedorenta, debaixo de uma porção de terra embebida de gordura.
Que resultados teve a sua beleza na terra? Que coisas eternas criaram os homens que ela inspirou? Nada, ou talvez outros homens, para morrer e sofrer. Não passou disso, tudo mais se perdeu; tudo mais não teve existência, nem mesmo para ela e para os seus amados; foi breve, instantâneo, e fugaz.
Abalei-me! Eu que dizia a todo o mundo que amava a vida, eu que afirmava a minha admiração pelas coisas da sociedade - eu meditar como um cientista profeta hebraico! Era estranho! Remanescente de noções que se me infiltraram e cuja entrada em mim mesmo eu não percebera! Quem pode fugir a elas?
Continuando a andar, adivinhei as mãos da mulher, diáfanas e de dedos longos; compus o seu busto ereto e cheio, a cintura, os quadris, o pescoço, esguio e modelado, as espáduas brancas, o rosto sereno e iluminado por um par de olhos indefinidos de tristeza e desejos...
Já não era mais o retrato da mulher do túmulo; era de uma, viva, que me falava.
Com que surpresa, verifiquei isso.
Pois eu, eu que vivia desde os dezesseis anos, despreocupadamente, passando pelos meus olhos, na Rua do Ouvidor, todos os figurinos dos jornais de modas, eu me impressionar por aquela menina do cemitério! Era curioso.
E, por mais que procurasse explicar, não pude.




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